segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Sensações X Emoções 1

“Por que devemos treinar a nossa mente para o sucesso?” Nesta pergunta, a que palavra você daria mais ênfase? Mente? Sucesso? A chave de tudo, ou seja, para fazer a ponte entre mente e sucesso, é preciso de um condutor, de um veículo. E então acreditamos que o mais importante é “treinar”! O que é sucesso para quem está enfrentando o “ringue” dos concursos públicos? Como se chega a ele senão através da mente? Como aplicar isso a um papel em branco onde temos que mostrar ideias, construir projetos, instituir pontes e impressionar a todos: a sua prova dissertativa? Treinar a mente é construir um tipo de pensamento vitorioso e focado no seu objetivo. E isso passa pelas emoções e sensações que você terá/criará para você durante todo o processo. Se sentir-se cansado, isso estará refletido no seu processo criativo. Se acreditar que não está preparado, estará levando para o concreto uma sensação ruim que produz uma emoção, um sentimento de derrota, talvez uma antecipação do resultado que terá. Cuide das sensações e emoções que você carregará consigo nos momentos cruciais de preparação para uma prova escrita, em que você irá se mostrar em estado bruto. As sensações são afetas ao corpo e as emoções, à mente, pode-se resumir assim. É como se um fosse a carruagem, e o outro, o cavalo. A dificuldade é saber quem lidera, para que você não alimente a carruagem, enquanto deixa o cavalo morrer de fome. Sensações podem ser explicadas como frio, calor, incômodo, arrepio. Emoções são amor, raiva, compaixão, e por aí vai. No final do século XX, William James subverteu a ordem natural em que nós ocidentais, colocamos essa dupla dinâmica que constrói o que somos. Em sua versão, são as mudanças corporais que despertam em nós as emoções que sentimos. Ou seja, a erupção física que sentimos na hora da raiva é que nos dá a emoção de explosão. Ou seja, “as emoções são sensações causadas por mudanças no corpo, e não o contrário”. Não somos, por esse raciocínio, necessariamente produto do meio. Razão pela qual não reagimos da mesma forma nos mais diversos acontecimentos. Para alguns, o corpo reage com pânico, e a mente mergulha no sentimento de medo, terror. Outros cantam para o bandido e se livram do mau elemento. Treinar a mente para lidar com um corpo que “fala” mais alto nos momentos cruciais da sua vida é construir uma ponte de serenidade sobre águas turbulentas. Do medo, da insegurança, da confiança abalada. Robert Solomon, em “Emotions and Choice”, diz que “emoções são julgamentos. Se não acreditar que fui ofendido, não poderei ficar bravo”. As emoções são a caneta com que escrevemos o nosso testamento, ou seja, a declaração para a posteridade. É com elas que fazemos a nossa história. Cuide de ter emoções positivas, e isso passa, necessariamente, pela memória afetiva ou emocional que a sua mente terá das sensações físicas que você mesmo provocou em você. Se você não se perturbar fisicamente diante de uma fechada no trânsito, poderá sentir raiva como a emoção consequente desse episódio? Experimente controlar primeiro as sensações que o seu corpo produz, porque elas podem ser o fio condutor para despertar as melhores e as piores emoções em você mesmo. Se você conseguir não ficar “verde”, provavelmente não vai deixar aflorar o terrível “Hulk” que existe em você. Admito: pode até ser mais difícil do que fazer uma prova de concurso. Voilà!