quarta-feira, 26 de novembro de 2014


Atualizado em 26/11/2014 às 00:18

Pílulas de Língua Portuguesa 29

Plural de nomes próprios de pessoas (antropônimos ou personativos)

Por Jairo Luis Brod

Que vale mais? Segurar um carro, uma casa, uma fazenda ou segurar um nome? Sabe o que é segurar um bom nome? É um seguro diferente, pois é você mesmo que o segura... todos os dias, com valores não monetários. Dilapidou-o, malbaratou-o, perdeu-o, pleibói? Lamento, pois dificilmente poderá reavê-lo. A consequência? As piores possíveis, a começar pela impossibilidade de recuperação de qualquer outro bem, incluídos os três acima.
(Dostoievski, Shakespeare, Arnaldo Jabor, Clarice Lispector, Luiz Fernando Veríssimo e outros)

Alceu Valença avalizou certa vez que "se o Gonzagão é o Pelé da música, Jackson do Pandeiro é o Garrincha". Descrição perfeita para o Rei do Baião e para o Rei do Ritmo – este tocava e cantava com um suingue magnetizante baião, samba, marchinhas, rojão, xaxado e emboladas, como esta:

Como Tem Zé Na Paraíba
Vige como tem Zé
Zé de baixo, Zé de riba
Tesconjuro com tanto Zé
Como tem Zé lá na Paraíba.

Um Zé puxa o outro Zé. Em muitas cidades do interior do Brasil, além dos alto-falantes que ainda anunciam de venda de cuscuz a notícias de falecimento –"Anunciamos consternados o passamento de Dona Lazarinha" -, existe também o costume de diferenciar os zés, as marias e os joões pelo acréscimo de um segundo nome:
- Zé das Couves: o que planta ou vende o vegetal;
Zé da Zefa: o que é casado com a Dona Encrenca chamada Josefa;
Zé de Ninguém: o Zé solteirão.
Feita a sala aos zés, entremos de sola (ou de borzeguim, como se diz no Sul Maravilha) na cozinha do assunto de hoje. Antes disso, convém saber que a taxonomia é a ciência que lida com a classificação de todos os seres. Hã?! O que tem a ver os zés com essa tal de taxonomia? Muita calma nessa hora! Porque como eu estava dizendo, a taxonomia nos revela que quem estuda os zés ou Zés, as marias/Marias, o meu nome e o de vocês que me leem é a Antroponímia - estudo dos antropônimos, ou seja, os nomes próprios de pessoas, por:
- prenome (nome de batismo): João, José, Joana, Josefa, etc
sobrenome: Antunes, Bragança, Rodrigues, Lima, etc
apelido: Zé, Tonho, Betinha, Maroca, etc.
Quando o assunto aqui desemboca, uma das maiores dificuldades é a formação do plural e a letra inicial, se minúscula ou maiúscula. Como regra geral, tem-se que eles se flexionam em número tal quais os substantivos comuns. Até aí, quase nenhuma dificuldade, que só começa a partir da pluralização dos nomes compostos. Há casos e casos. Para todos esses, leva-se em consideração o princípio latino de que, na fundada divergência entre os estudiosos da Língua, há liberdade de emprego dos termos (in dubiis, libertas). Dessa forma, teremos, então, o que se segue, devendo, preferencialmente, a primeira letra ser grafada em tipo minúsculo, cabendo, contudo, o emprego do maiúsculo, conforme veremos mais detidamente ao final deste magote de nomes:
(Continua na próxima semana. Ouvi daí um "graças a Deus", hehe).