segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

É o balde ou é o êxodo - exercício sobre a falta de água na redação do seu concurso




É preciso ter faro para identificar um bom texto. E ele não falha. Logo na primeira frase, percebe-se o estilo, a riqueza. É pura consistência. É como amor à primeira vista. Difícil de acontecer. Mas quando acontece,  é isso! A gente sabe que: "é isso"! Você pode se apaixonar por um texto por causa das ideias. Ele te devolve a sua infância. Ele te faz lembrar de biscoitos caseiros quentinhos na casa da vovó. Ou ele mexe com os seus ideias. Te ensina algo. Ou talvez ele seja um flecha na sua emoção: mexe com os seus sentidos, te faz rir ou chorar. Você também pode apaixonar-se por um texto pelas suas palavras. Sua forma curvilínea, uma introdução mais "carnuda", um gênero mais natural, sem muita maquiagem.  
Um texto pode ser um diálogo, uma conversa que vai empolgado aos poucos até virar um "pingue-pongue" eletrizante, como no primeiro encontro. Os dois querem falar ao mesmo tempo e mostrar-se por dentro e por fora. 
Este texto que trago agora é um bom exercício para concurso público - “Vamos precisar de um balde maior”, sobre a crise hídrica em São Paulo.
Eu poderia simplesmente perguntar: por quê? 
Vamos às questões:
quais as técnicas principais que ele usa? 
Que tipo de linguagem é adotado?
Quais as figuras de linguagem utilizadas? 
Como ele constrói os argumentos e que tipo de encadeamento/raciocínio lógico ele vai criando para nos dar a impressão de que estamos numa montanha-russa? Como ele inicia os parágrafos como se apresentasse cada novo ato de um grande espetáculo? 
Quantas, e quais as mais belas metáforas usadas? O que dizer do argumento? Existe um contra-argumento? Existe uma conclusão? Qual é O argumento, ou seja, o que o autor acha de verdade?
Esse texto mostra como ser generalista e em seguida navegar para o particular, para a concretude do específico e assim mergulhar no irrefutável. Ser criativo sem ser lunático. Ser assertivo sem ser pedante. Ser dramático sem apelar. Ser profundo… e coloquial.  Ao invés de "a crise é enorme", poder dizer com elegância: "a palavra 'crise me parece muito pequena diante do que já está desenhado". Os filhos da barbárie, de uma catarse coletiva, dos sem água e sem resposta para o cenário árido que emerge de caixas d'agua vazias. Qual a minha surpresa quando cheguei ao fim do texto, tendo sido tentada desde o início a escrever sobre ele, e encontrei o nome de Eliane Brum, na minha opinião, uma das melhores escritoras do nosso tempo. Eis o meu desafio: dissecar o artigo de Eliane Brum, fazer uma análise profilática. É o seu dever de casa. Divirta-se. Poste no blog ou guarde para você. Não importa! Vale o exercício. Nos próximos posts eu farei os meus comentários sobre este texto. Comparar é aprender!!!!