domingo, 10 de maio de 2015

Todo dia é um bom dia para escrever!

O que domingo tem a ver com estudos, a gente já sabe! Mas vamos lá, Dia das Mães é dia de estudar ou pode pausar? Minha resposta: domingo está para estudar assim como mãe está para escrever. Então, mãos à obra, com ou sem atraso, faça o seu exercício de redator da prova dissertativa do ano escrevendo uma homenagem para a sua mãe. Pode ser uma carta de amor, um documento científico, um moção de apoio ou um ato de desagravo. Só não vale dizer apenas: "eu te amo". Isso também. Mas exercite não apenas o escritor, ou concurseiro que existe em você, mas também o filho. Pode até escrever: "minha receita para passar no concurso". E blá, blá, blá.  Inspirem-se neste maravilhoso livro de Guto Lins. Vejam abaixo a minha homenagem ao Dia das Mães. Porque essa também sou eu! Com muito prazer! Escreva na batida do seu coração! Escreva todos os dias! Escreva a redação da sua vida! Escreva a sua vida na sua redação!
E Feliz Dia das Mães, concurseiras!





"Família. Palavra que assusta. Que parece grande. Que é, na verdade, gigante. Parece mulher, mas que no fundo é um caminhão de gente. Homem, mulher, filho, tudo junto. Imagina alguém que se chame “Família”? Sr. Família? Ou seria Sra. Família? Qual seria o  apelido? Fá? Lia? Familiazinha é pejorativo. Não cabe diminuir a família. Familhão é o cara que ganha na megasena. E faz um milhão.

Família não admite um único significado. É o começo de tudo. Mas também meio e fim. É o zigoto, quem pulou a aula de biologia? Somos todos girinos da mesma família, uma senhora doce como o orvalho e que se expande como o acordeão. A família é mãe. É ela o esteio, é ela o 0, da combinação 0 e 1. Não sei se as palavras “mãe” e “família” se confundem, e pode até haver família sem mãe, mas coitada dessa família.

Uma família sem mãe não conhece o amor, é como celeiro sem feno, cálice sem vinho, paraíso sem arco-íris, ou computador sem internet.
Mãe é tudo. Eu sei: sufoca, perturba, tira a paz da gente, não é Enzo!!!???, mas uma mãe está para uma família feliz assim como azeitona está para uma empada. É a diferença entre o sol e a chuva, o verão e o inverno. A noite e o dia.

Famílias, honrem as suas mães!
Mães, honrem as suas famílias!
Entendam que seus filhos nunca crescerão e zelem por eles até o final dos seus dias. Não esperem o seu dia de Mãe acabar, assim como após a noite vem o dia, e assim por diante. Mãe não se aposentada. Não tira férias. Mãe não se cansa. Nem descansa! Mãe atira a flecha e a agarra lá na frente com a mão, como diz Khalil Gibran no maravilhoso poema "Filhos". Não existe o sétimo dia para as mães. A gente tem que fazer e refazer o mundo todo santo dia.
Filhos, tenham inveja da sua mãe, pois mirem-se no exemplo dela. Não queiram ser como ela. Mas melhores!
Temam a sua mãe!

Amem, ainda que odeiem, a sua mãe!
Odiar e repelir a sua mãe faz parte do rompimento do cordão umbilical que você fará pelo resto da sua vida, para criar a sua própria identidade. Pode sentir raiva da mãe. Mágoa. Repulsa. Isso é ter maturidade para separar o amor dos outros sentimentos mesquinhos e criar o seu próprio Eu. Bem vindos ao mundo real! Mãe machuca, mãe erra, mãe grita, mãe pisa na bola. Mas o filho continua amando, e assim a gente aprende o valor da palavra “perdão”.
A gente entende o que é “dedicação”. A gente descobre que a “gentileza” é a prima mais próxima da mãe e o “servir” é o senhor do seu templo. A gente vive a dualidade da vida na figura da nossa mãe: amar e odiar? Não? Sejamos evoluídos: amar e perdoar! Renunciar agora, para ganhar ali na frente!

Tem mãe que não ama seus filhos... porque não ama a si mesma.
Sim, porque, entre todas as lições, a que melhor pode dar uma mãe a seus filhos é: ame a si mesmo! Ame o seu ser e seja o altar da sua igreja: ricos em amor, férteis na doação, filhos da dádiva, senhores e senhoritas do divino! E aqui, advogando em causa própria, digo: filhos, vivam e deixem suas mães viverem. Não esperem delas apenas o seu suor e as suas lágrimas, mas assistam felizes uma revoada de pássaros todas as manhãs. Mãe não cai no precipício. Ela voa! E, se vem a turbulência, vem a teoria do avião: primeiro a sua máscara, depois a de vocês, filhos.
Por mais longo que seja o voo, o aeroporto de ida e de chegada é sempre um só: os vossos corações. Porque é aí que residem todas as mães.
Mães, amem seus filhos!
Filhos, amem as suas mães!
Famílias, amem e reverenciem as suas mães!
E, se no dia a dia, ninguém parece ver, ouvir, ou aceitar o que você faz, queridas mães, não se zanguem por serem “invisíveis” ou se todo o esforço parecer em vão: “Ele está vendo”. Ao final do dia, recolha-se no seu altar, feche os seus olhos incansáveis de mãe, e diga apenas: gratidão!
Feliz Dia das Mães que tem uma família como essa! Nós temos"